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sexta-feira, 17 de abril de 2026



O AGRONEGÓCIO É RESPONSÁVEL PELA DESTRUIÇÃO DO PLANETA

 Sim, o “agro” é o vilão do colapso climático

     Se nada for feito, temperaturas no Brasil crescerão acima da média global. Secas e inundações serão mais frequentes. E virão crises sociais, urbanas e sanitárias, com milhões de “refugiados do clima”. Enquanto isso, o ruralismo continua com “salvo-conduto” para devastar

Terra e Antropoceno

Por Jean Marc von der Weid

Publicado 20/09/2024 às 16:49

     Enquanto a fumaça não irrita os olhos, a garganta e os pulmões de crianças a idosos das zonas metropolitanas na ou próximas da costa brasileira parece que o fogo que devora milhões de hectares da vegetação de vários biomas não acontece neste país e sim em outro continente ou outro planeta.

     Estamos em plena crise ambiental e nem o governo, o Congresso, a imprensa e os candidatos ao próximo pleito municipal estão sensibilizados com a extrema gravidade da situação. Foi preciso que a cidade de São Paulo fosse classificada em primeiro lugar entre 120 do planeta com a pior qualidade do ar durante dias seguidos para que houvesse alguma reação, mesmo assim, ninguém (ou quase), fora do círculo estreito dos ambientalistas e cientistas está denunciando as implicações do mar de chamas para o futuro próximo do país e muito menos apontando as responsabilidades.

     As queimadas e desmatamento são algo corriqueiro e crescente no Brasil desde que os militares resolveram “integrar para não a entregar” a Amazônia, desde os anos 70 do século passado. Foram 200 milhões de hectares desmatados e queimados nos últimos 40 anos, desde que a ocupação das “novas fronteiras agrícolas” se acelerou. 73 milhões destes hectares se localizam na Amazônia.

     Em momentos de maiores incêndios cientistas e ambientalistas gritam, alguns deputados discursam, governos tergiversam e a imprensa especula. A opinião pública continua ignorando as causas e consequências destes fatos assustadores e dormindo em berço esplêndido, embora a lua e as estrelas (e até o sol) fiquem apagados ou opacos por um tempo pela fumaça.

     Comecemos pelos impactos deste prolongado processo de destruição. Queimadas e desmatamento estão provocando uma mudança climática no Brasil, mais acelerada do que na maior parte do planeta. As ondas de calor estão ocorrendo em todo o mundo, devido ao aquecimento global para o qual as emissões de gases de efeito estufa e redução da captura de carbono provocadas pelo nosso desmatamento e queimadas contribuem significativamente.

     Somos o sexto maior emissor de CO2, e o nosso aporte para a destruição do planeta provém principalmente das queimadas e desmatamento. Mas o primeiro impacto deste aquecimento é aqui mesmo e mais intenso do que em outras partes do mundo.

     Enquanto no resto do planeta o aumento das temperaturas médias está batendo os fatídicos 1,5º Celsius este ano, prevê-se que já em 2025 a Amazônia vai registrar um aumento de 2,5º C. Estes números parecem coisa pouca para os leigos, mas eles significam máximas de temperatura superando os 40º C com muita frequência ao longo do ano e não apenas nos meses de verão. Para quem não vive em ambientes controlados pelo ar refrigerado isto significa mais do que um incomodo, mas uma ameaça concreta para a saúde, sobretudo para crianças, idosos e trabalhadores em espaços abertos.

     Em quase todo o país a previsão é de aumentos acima da média mundial: mais 2,5º C no Nordeste, mais 2º C no Centro-Oeste e mais 1,5º C no Sudeste. Apenas no Sul o aumento previsto (1º C) está abaixo da média mundial.

     O segundo efeito grave do processo de desmatamento e queimadas é a queda no volume das chuvas e talvez ainda mais grave, na sua grande irregularidade. Como vimos este ano, Porto Alegre foi afogada em um ano em que o resto do país vive uma seca prolongada por dois anos consecutivos, sem perspectiva de alívio na próxima estação chuvosa.

     As previsões para o ano que vem indicam reduções dos índices médios de precipitações de 20%, na Amazônia, 25%, no Nordeste, 15% no Centro-Oeste, 10% no Sudeste. No Sul as precipitações crescem 5%.

     O sistema dos “rios voadores” que irrigam o Sul, Sudeste e Centro-  Oeste com umidade produzida pela evapotranspiração da floresta amazônica está sendo desequilibrado pela destruição do bioma. As regiões que concentram 80% da nossa produção agrícola (quase totalmente dependente de água de chuva) estão sujeitas a perdas de 10 a 30% da produção, dependendo da cultura e da região. O impacto sobre a economia será enorme, tanto na balança comercial como no preço dos alimentos. A fome, problema mal resolvido no Brasil mesmo em períodos menos ambientalmente desfavoráveis, vai afetar muito mais gente do que a que padece hoje.

    O desequilíbrio climático, com menos chuvas, temperaturas mais altas e menor umidade do ar, já está provocando a redução da vazão dos nossos rios, sendo que o mais afetado é o São Francisco, com 60% de vazão reduzida nos últimos 30 anos. Os efeitos aparecem no abastecimento de várias cidades, inclusive com algumas já em racionamento e outras com a piora da qualidade da água.

     A redução na geração de energia elétrica já é elevada em 9 usinas, cinco delas no São Francisco (Sobradinho, Apolônio Sales, Paulo Afonso, Luiz Gonzaga e Xingó). Todo mundo vai sentir no bolso o custo das bandeiras vermelhas do Operador Nacional do Sistema que vai acionar as termoelétricas, aumentando a nossa contribuição para o uso de combustíveis fósseis com o consequente aumento das emissões de CO2.

     O ar irrespirável em São Paulo dá manchete de jornal nas metrópoles, mas as cidades do norte e centro-oeste já são afetadas ano a ano há muito tempo. E é bom ir se preparando para uma repetição cada vez mais frequente deste “mau tempo” daqui para frente.

     E quem são os responsáveis por este estado de coisas?

     Segundo a maioria dos jornais e comentaristas das televisões a causa mais citada é o “aquecimento global”, sem que se aprofunde quem são os responsáveis por este fenômeno. Pode-se dizer que há, na imprensa brasileira, um passo adiante na compreensão do problema pois, pelo menos, não se nega o aquecimento global. Mas para muita gente, este é um fenômeno natural, independente do fator humano. Entre evangélicos é comum uma posição resignada do tipo “é a vontade de Deus”, ou ainda “Deus nos pune por nossos pecados”. Nada mais paralisante do ponto de vista da necessidade de se fazer alguma coisa.

    No Congresso, mas também nas Assembleias Legislativas, no executivo federal, mas também nos Estaduais e nas prefeituras e Câmaras Municipais, prevalece uma paralisia e um descaso com a catástrofe que nos assola agora e nos ameaça no futuro, a não ser para pedir dinheiro federal para medidas paliativas.

     A poderosa bancada ruralista não dá um pio para discutir a crise, a não ser para pedir verbas compensatórias para as perdas do agronegócio. Pior do que isso, os ilustres parlamentares têm engatilhados 20 projetos de lei desmontando a nossa já muito esburacada e ignorada legislação ambiental. É a “boiada passando”, tal como nos tempos de Bolsonaro e seu criminoso ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales.

     Dentre as avaliações mais frequentes escutadas nas TVs, aparece o conceito do “agronegócio bom”, aquele da propaganda (“agro é tec…”). Segundo vários comentaristas, há um setor “moderno”, “sustentável” e “amigo do meio ambiente” e ele tem sido chamado a se manifestar por mais de um âncora de programas de televisão. Não se aprofunda quem seria, por oposição a este setor, o agronegócio “mau”, o predador do meio ambiente. Seria ele o responsável pelas queimadas e desmatamentos? Ninguém diz isso com todas as letras, fica subentendido na maior parte dos casos.

     Alguns números podem nos ajudar a pensar sobre este nosso agronegócio. As propriedades com mais de mil hectares somam 51.203, segundo o censo de 2017, e ocupam 167 milhões de hectares. Mas o nível de concentração de terras é ainda mais espantoso: apenas 2.450 proprietários rurais com áreas superiores a dez mil hectares ocupam 51,6 milhões de hectares! O primeiro grupo dos maiorais do agronegócio representa apenas 1% do total de produtores rurais, patronais ou familiares. O segundo representa 0,05% do total de produtores. Em termos de localização, perto de 75% destes grandes produtores do agronegócio estão no Sudeste, Sul e Centro-Oeste. São as grandes lavouras de soja, milho, cana de açúcar, café, laranja, algodão. Na Amazônia e no Cerrado encontram-se os maiores criadores de gado, com perto de 65% do rebanho bovino nacional.

     O agronegócio se apresenta ultra concentrado em termos de propriedade de terras, mas esta concentração é ainda maior em termos de capital e de valor da produção. Apenas 25 mil destes superprodutores são responsáveis por 60% do valor básico da produção (VBP) agropecuária. Esta concentração de poder econômico se reflete em concentração de poder político.

     A elite econômica do agronegócio domina as entidades do setor, inclusive a Confederação Nacional da Agricultura, mais convencional, e a Associação Brasileira do Agronegócio, mais recente e dinâmica.  Este poder econômico é utilizado para financiar campanhas de publicidade de grande impacto e, sobretudo, eleger a maior bancada temática do congresso nacional: a bancada ruralista. Com Bolsonaro, o poder executivo tornou-se uma espécie de apêndice dos think thanks do lobby do agronegócio, adotando toda a agenda do setor.

     Lembremos que o agronegócio não é apenas o setor primário, composto de fazendeiros e criadores, mas inclui as indústrias de insumos (agrotóxicos, sementes, fertilizantes e maquinário) e de processamento e os serviços correlatos. Há poderosos lobbies como as associações dos criadores de gado zebu ou de nelore, ou a Aprosoja, Abiove, etc. Mas algumas grandes empresas têm papel destacado, entre elas os grandes frigoríficos, sobretudo a JBS, maior processadora de carnes do mundo. E são eles que definem as políticas para os biomas que estão queimando há meses.

     Tanto os criadores de gado como os produtores de soja e algodão, na Amazônia e no Cerrado, se beneficiam do processo de grilagem que acompanha a ocupação destes territórios. É a terra mais barata do mundo fazendo a nossa carne ser um dos produtos do agronegócio mais competitivos no mercado internacional. As terras griladas, quase todas de propriedade da União, não custam nada aos ocupantes desde longa data. Forjam-se documentos para “legalizar” as vendas das terras desmatadas e queimadas ilegalmente e, de tempos em tempos, sucessivos governos anistiam estes crimes.  Criadores de gado compram as terras e as exploram até o bagaço, vendendo os bois para o “agronegócio bom”, para engorda em áreas não desmatadas recentemente. E os frigoríficos, o setor mais poderoso do agronegócio brasileiro, compram boi barato e exportam ou vendem a carne para o mercado interno, tudo devidamente certificado. Deve ser o setor mais rentável do agronegócio aqui e em todo o mundo.

     E o que passa com os criadores de gado em outras regiões, muitos deles com tecnologia de ponta e até manejos sustentáveis do seu plantel? Sua carne é mais cara, mas de melhor qualidade e alcança melhores preços até na Argentina. Estes empresários são respeitadores do meio ambiente e capazes de se ajustar às regras novas da União Europeia com rastreamento para impedir a compra de carne oriunda de áreas desmatadas desde 2020. E por que não lutam por uma legislação nacional que obrigue esta prática? Trata-se de uma solidariedade com os agrotrogloditas da Amazônia, Cerrado e Pantanal?

     Desconfio que este setor dito “moderno” tem interesse na persistência da criação de gado nas áreas desmatadas. Colocada em prática a legislação da UE no ano que vem, e com os chineses, americanos e ingleses discutindo medidas semelhantes, vai haver um bloqueio das exportações de carne bovina brasileira, aquela que não vai conseguir a certificação. É mais da metade das nossas exportações de carne que vai ficar retida no mercado interno e os preços nacionais vão cair. Por outro lado, quem tiver carne certificada vai poder aproveitar o aumento do preço da carne no mercado internacional (derivado do bloqueio) e o nosso agronegócio pecuário “bom” vai nadar de braçada por um bom tempo. Me parece um cálculo bastante razoável para explicar o silêncio cúmplice dos setores “modernos” do agronegócio e a falta de ação por uma legislação sobre o rastreamento.

     O rastreamento da carne deveria ser uma legislação nacional aplicada com rigor e emergência para deter o desmatamento e queimadas na Amazônia, Cerrado e Pantanal. Ocorre que o governo não quer enfrentar o agronegócio no Congresso e prefere criar mais um organismo ambiental, chamado de “Autoridade Climática”. Nem discuto a importância deste instrumento, mas até ele começar a existir e operar o caldo pode estar entornado de vez.

     No Brasil é sempre assim: frente a uma emergência cria-se uma comissão que vai discutir o que fazer, enquanto já se sabe há muito tempo que a medida capaz de conter o processo de desmatamento e queimadas é o rastreamento do gado e a certificação da carne. As ameaças de controle pelo Ibama ou ICMBio e Polícia Federal são irrisórias, mesmo se multiplicados os seus funcionários por milhares.  É muito grileiro desmatando e queimando com a proteção ou não da milícia do tráfico de drogas e que também atua no garimpo ilegal. E eles contam com a cumplicidade da justiça local, dos policiais civis e militares, de governadores e prefeitos. O estrangulamento destes processos criminosos só será eficaz com medidas que impeçam a colocação dos seus produtos no mercado. Por outro lado, os bancos públicos e privados poderiam entrar na dança, exigindo o rastreamento para financiar frigoríficos e criadores de gado. No caso dos bancos privados isto não cobra sequer uma lei específica, só uma resolução administrativa.

     Não basta para fazer discurso em visitas “preocupadas” às áreas sinistradas, como o Lula é mestre em fazer. Os cientistas dizem que mais dois ou três anos com os índices atuais de desmatamento e queimada a floresta amazônica vai colapsar. Não é um colapso localizado, este já ocorreu em todo o “arco de fogo” que vai do norte do Mato Grosso, o sul do Pará, o Tocantins, o Matopiba, Rondônia e Acre. Estamos falando de um processo de degeneração de todo o restante da floresta, que levará à transformação da grande planície úmida, cortada de rios enormes, em uma savana arbustiva e seca e, com o tempo, em um deserto.

     É preciso pensar em um outro efeito iminente deste desastre: o deslocamento da população para as cidades dos três biomas citados e que vai se estender para as grandes metrópoles do sudeste e sul. Algumas dezenas de milhões de brasileiros vão se transformar em refugiados climáticos e aumentar a miséria urbana no país.

     O Nordeste, por razões climáticas mais gerais, também se encaminha celeremente para passar de semiárido para árido, mesmo sem a intensidade dos desmatamentos tratados neste artigo. A previsão de aumento de temperatura média da ordem de 3º C na região vai implicar na perda de 30% da produtividade da agricultura, afetando principalmente a familiar. Estamos diante da forte probabilidade da retomada das crises sociais oriundas das secas, crises essas que perduraram até os anos 70. No passado, fugindo das secas, os “retirantes” a migravam para um “Sul” muito amplo, das cidades metropolitanas do Sudeste até as zonas rurais do Paraná e de São Paulo. Para onde irão os novos retirantes?

     O agronegócio brasileiro sempre foi adepto do uso indiscriminado do fogo para expandir suas lavouras e pastos. Hoje o desastre é proporcional ao poderio adquirido por este setor. Ele sabe muito bem que no rastro deste avanço ficam dezenas de milhões de hectares (entre 80 e 100) de “áreas degradadas”, mas enquanto houver terras a grilar e florestas a queimar o processo vão continuar.

     E depois? Ora, depois eles vão embarcar para Miami e gozar os dólares amealhados. Mal sabem que o aumento dos oceanos provocado pelo aquecimento global que eles ajudam a ampliar vai engolir o paraíso dos ricos brasileiros.

 

OUTRASPALAVRAS

 

https://averdadenainternet.blogspot.com/search?q=lavoura

 

https://www.google.com/search?q=O+agroneg%C3%B3cio+%C3%A9+respons%C3%A1vel+pela+destrui%C3%A7%C3%A3o+do+planeta%3F&rlz=1C1VDKB_enBR1148BR1148&oq=O+agroneg%C3%B3cio+%C3%A9+respons%C3%A1vel+pela+destrui%C3%A7%C3%A3o+do+planeta%3F&gs_lcrp=EgZjaHJvbWUyBggAEEUYOTIHCAEQIRigAdIBCjQ4NDA5ajBqMTWoAgCwAgA&sourceid=chrome&ie=UTF-8

 

Pensamento: Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.

 

Confúcio

 

 


 

PARA ONDE VAI O DINHEIRO DO AGRONEGÓCIO?

 

 

     Agro movimenta R$ 2,7 trilhões em 2024, mas bancos ficam com a maior parte: veja por que o setor está prestes a virar sua própria infraestrutura financeira

Escrito por

Carla Teles

Publicado em

03/12/2025 às 23:41

Agronegócio

     Agro movimenta R$ 2,7 trilhões em 2024, mas bancos ficam com a maior parte: veja por que o setor está prestes a virar sua própria infraestrutura financeira.

     Agro e agronegócio brasileiro criam infraestrutura financeira com crédito rural e fintechs do agro para reduzir a força dos bancos sobre o setor.

     Enquanto o agro sustenta quase um quarto do PIB brasileiro, boa parte do dinheiro não fica no campo e é capturada pelos bancos e intermediários financeiros

     O agro brasileiro atingiu em 2024 a marca de R$ 2,7 trilhões de PIB, algo próximo de um quarto de toda a riqueza produzida no país. Produtores, cooperativas, tradings, indústrias e distribuidores formam uma engrenagem que emprega milhões de pessoas, responde por quase metade das exportações e sustenta a balança comercial. Só que, por trás dessa potência, existe um ponto que quase ninguém fala: a maior parte do dinheiro que circula no agro não para dentro da porteira, para na mão dos bancos.

     Por meio de crédito rural, adiantamentos, seguros, exportações, operações de câmbio e meios de pagamento, o sistema financeiro se posiciona em cada elo da cadeia.

     Os bancos controlam o crédito, intermediam as transações e capturam uma fatia do lucro em cada etapa, muitas vezes sem plantar, colher ou armazenar um único grão. A boa notícia é que esse jogo começou a virar.

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     O campo está aprendendo a transformar crédito em negócio, pagamento em produto e fluxo financeiro em lucro próprio. Em outras palavras, o agro está prestes a virar sua própria infraestrutura financeira.

     O tamanho do agro e o tamanho do buraco financeiro

     Para entender a dimensão dessa virada, é preciso olhar primeiro para a escala do agro. A cada quatro reais gerados no Brasil, praticamente um vem diretamente ou indiretamente do campo. São mais de 28 milhões de pessoas envolvidas entre produção, indústria de alimentos e distribuição.

     O setor responde por cerca de 49% das exportações brasileiras, com superávit comercial de dezenas de bilhões de dólares.

     Mesmo assim, o agro ainda depende fortemente de capital de terceiros para funcionar. O crédito rural segue como pilar central. Na safra 2024/2025, a aplicação de crédito rural já somou cerca de R$ 330 bilhões, com a maior parte dos recursos controlada por bancos públicos e privados.

     Mais de 70% do financiamento rural no país ainda vem dessas instituições, o que significa que o grosso do fluxo financeiro do setor passa fora do campo e voltam na forma de juros, tarifas e spreads.

     Onde o dinheiro do agro realmente para

     Por trás da imagem de produtividade e superávit, existe uma dinâmica previsível. O produtor rural:

Toma crédito para custear o plantio

Compra insumos muitas vezes já financiados

Vende a produção para uma trading, muitas vezes com adiantamento.

Recebe o pagamento em etapas

Quita os financiamentos, paga juros e recomeça o ciclo

     Em cada passo dessa jornada, há um intermediário financeiro capturando parte do valor que o agro gera. O banco financia o custeio da safra. A trading antecipa parte da produção. A cooperativa intermedia pagamentos. O banco opera o câmbio das exportações. A seguradora cobre risco climático e operacional, sempre cobrando prêmio.

     O resultado é aquilo que muitos economistas já enxergam como um gap financeiro do agro. O campo gera valor, mas não captura na mesma proporção. O dinheiro nasce no agro, mas o lucro consolidado tende a parar na cidade, nos balanços de quem controla crédito, informação e meios de pagamento.

     As cinco grandes dores financeiras do agro hoje

     Apesar da força produtiva, o agro enfrenta um conjunto de problemas que limitam sua eficiência financeira e pressionam margens, indo muito além de clima e safra. Entre as principais dores estão:

     Fragmentação da cadeia produtiva

     O agro brasileiro é formado por milhões de produtores, revendas, cooperativas, tradings, processadores e exportadores. Cada elo tem o próprio modelo de operação, necessidades financeiras e nível de digitalização.

     O resultado é um ecossistema desconectado, em que o dinheiro e a informação demoram a circular, gerando ineficiência, custo e perda de poder de barganha para o produtor.

     Dependência excessiva de crédito de terceiros

     Boa parte dos produtores depende de bancos, cooperativas de crédito ou tradings para financiar insumos e operações. Quando o crédito encarece, os juros sobem ou há atraso no Plano Safra, o impacto vai direto na base da produção.

     O crédito rural continua sendo essencial, mas ainda é burocrático, concentrado e de difícil acesso para quem não tem garantias robustas ou histórico bancário consolidado.

 

Play Video:

 

https://www.youtube.com/watch?v=LglkTr25FOg&t=2s

 

     Baixa integração e gestão de dados

     Em muitas regiões, o agro ainda opera com baixo nível de digitalização. Dados sobre safra, clima, estoque, crédito e mercado seguem dispersos, sem conexão entre sistemas.

     Isso limita o planejamento, encarece a gestão de risco e reduz o poder de negociação do produtor, já que quem tem as melhores informações sobre crédito, preços e transações são os intermediários, não quem produz.

     Risco operacional crescente e margens apertadas

     Custos de fertilizantes, defensivos, logística e energia sobem, enquanto volatilidade cambial e de commodities aperta margens.

     O produtor lida com incertezas de safra e mercado, mas seus compromissos financeiros são fixos, criando uma assimetria entre o risco da produção e o custo do capital.

     Custo logístico e falta de liquidez

     Infraestrutura deficiente de transporte e escoamento eleva prazos, estoque e aperta o fluxo de caixa. Em um setor em que o intervalo entre plantar e receber pode passar de um ano, qualquer atraso no crédito ou na liquidação das vendas compromete o reinvestimento na safra seguinte.

     Somadas, essas cinco dores mostram algo evidente: o agro é gigante em produção, mas ainda é carente de estrutura financeira proprietária. E é justamente aqui que nasce uma das maiores oportunidades da história do setor: transformar essas dores em negócios financeiros dentro da própria cadeia.

     Por que o agro tem tudo para ser uma infraestrutura financeira

     Se você olhar com lupa, vai perceber que o agro já tem todos os ingredientes que um banco precisa para operar: Fluxo financeiro previsível ao longo do ano

Base de clientes recorrentes

Alto volume de transações

Histórico de relacionamento de longo prazo

Garantias reais, como terras, máquinas, armazéns e contratos

     O que faltava era tecnologia, regulação adequada e visão de dono sobre o dinheiro que circula dentro do campo. Nos últimos anos, isso começou a mudar por três motivos principais:

     Primeiro, a digitalização acelerada do agro. Fintechs especializadas em crédito e serviços financeiros para o campo, como Trave, Set e Terra Magna, já mostram que é possível operar crédito, seguros e pagamentos de forma totalmente digital, usando dados de safra, clima e produtividade para reduzir custo e risco.

     Segundo, a mudança regulatória. O Banco Central vem estimulando modelos como SCDs e instituições de pagamento, permitindo que empresas do agro ofereçam crédito com recursos próprios ou criem soluções financeiras personalizadas para seus produtores e parceiros.

     O que antes era monopólio dos bancos hoje está aberto para quem entende o dia a dia da fazenda, da cooperativa e da revenda.

     Terceiro, o ativo mais poderoso de todos: dados. O agro é um dos setores que mais geram informações no país. Produção, clima, histórico de pagamento, garantias, comportamento de compra, tudo isso pode ser convertido em inteligência financeira.

     Quando esses dados são usados para avaliar risco, precificar crédito e antecipar inadimplência, o campo passa a controlar o próprio fluxo financeiro e a capturar valor em cima de operações que ele mesmo já movimenta.

     Como o agro já está virando sua própria infraestrutura financeira

     Essa transformação não é teoria, o agro já começou a fintexar o campo na prática. Nos últimos anos, surgiram empresas e estruturas que mostram como o setor está criando sua própria infraestrutura financeira:

     A Set, por exemplo, digitalizou o processo de barter, aquele modelo em que o produtor troca parte da safra por insumos ou crédito. O que antes dependia de papel, cartório e meses de análise bancária hoje é feito digitalmente, do contrato à liquidação. Isso reduz custo, aumenta segurança e abre espaço para financiamento direto, sem depender totalmente dos bancos.

     A Trave usa inteligência artificial para analisar risco de crédito de produtores e investidores, conectando quem precisa de capital com quem quer financiar o agro, sem passar necessariamente por bancos tradicionais. É o próprio setor aprendendo a usar dados do campo para criar soluções financeiras sob medida.

     Cooperativas financeiras como Ccred e Ccob ampliaram sua presença digital e passaram a oferecer conta, crédito, seguros e meios de pagamento integrados ao ecossistema agro, entendendo que não basta financiar a produção, é preciso dominar o fluxo financeiro da cadeia.

     Revendas e trades também se movimentam. Empresas que antes só vendiam ou compravam insumos começam a criar braços financeiros para antecipação de recebíveis, financiamento de clientes e gestão de pagamentos. A Agrofy, por exemplo, estruturou a Agrofy Pay, uma solução de pagamento integrada ao marketplace agro, permitindo que o produtor compre insumos a crédito e pague de forma totalmente digital.

     Quando somamos tudo isso, enxergamos um novo cenário: um agro que não depende apenas de um banco para girar, mas que começa a construir suas próprias estruturas financeiras dentro do próprio setor.

     Passo a passo para o agro capturar o próprio fluxo de dinheiro

     Se o agro quer de fato virar sua própria infraestrutura financeira, o caminho passa por alguns passos práticos:

     Mapear o fluxo financeiro completo

     Entender por onde o dinheiro entra, por onde sai e em quais pontos terceiros capturam margem. Cada taxa de financiamento, cada comissão em pagamento ou seguro mostra um espaço potencial de captura de valor dentro da cadeia.

     Digitalizar relacionamento e transações

     Sem digitalização, não há inteligência financeira nem escala. Plataformas, aplicativos e sistemas integrados precisam centralizar crédito, pagamentos, recebimentos e contratos. É isso que permite transformar relacionamento em produto financeiro.

     Escolher o modelo regulatório adequado

     O Banco Central oferece caminhos como SCDs, sociedades de empréstimo entre pessoas e instituições de pagamento.   Além disso, modelos de parceria com instituições já licenciadas permitem começar rápido, testando soluções sem precisar montar um banco do zero.

     Transformar dados em crédito e produtos financeiros

     Usar dados de produtividade, histórico de pagamento, clima e logística para criar produtos como crédito personalizado, seguros inteligentes e antecipação de recebíveis com risco calibrado. Finanças passam a ser uma extensão natural da operação do agro, não um serviço estranho vindo de fora.

     Operar em parceria, não no improviso

    Fintexar o agro não é assumir risco desnecessário, é estruturar modelos sustentáveis, regulados e tecnológicos.  Cooperativas, indústrias e revendas que têm dado certo nesse movimento trabalham em parceria com instituições licenciadas, combinando conhecimento do campo com estrutura financeira segura.

     No fim das contas, fintexar o agro não é virar banco no papel, é virar dono do próprio fluxo financeiro. É transformar cada transação, cada boleto, cada linha de crédito em margem que permanece no campo, e não apenas nos balanços dos intermediários.

     O agro como força de inovação financeira

     O agro sempre foi sinônimo de força, produtividade e resiliência. Agora, começa a ser também sinônimo de inovação financeira, usando dados, tecnologia e regulação a seu favor para capturar valor sobre o mesmo dinheiro que já movimenta.

     Essa transformação já está acontecendo com produtores, cooperativas, revendas e indústrias que decidiram olhar para o fluxo financeiro com a mesma atenção que dedicam à safra. Quanto mais o agro entender de dinheiro, menos refém ele será dos bancos e mais protagonista se tornará na própria história.

 

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Pensamento: Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros.

 

Confúcio

 

 

 



EXPORTAÇÃO DE MILHO BRASILEIRO

 

     Agro brasileiro tem primeiro trimestre histórico em 2026, com mais de US$ 38 bilhões em exportações e superávit de US$ 33 bilhões

     Resultado é o maior da série histórica para o período de janeiro a março. Em março, o setor somou US$ 15,4 bilhões e respondeu por 48,8% das exportações brasileiras.

     As exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 38,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 0,9% em relação ao mesmo período de 2025. Trata-se do maior valor da série histórica para os meses de janeiro a março. Por sua vez, as importações do setor totalizaram US$ 5 bilhões (queda de 3,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025), o que resultou em superávit de US$ 33 bilhões no período (alta de 1,8% em relação ao mesmo intervalo do ano passado).

     O desempenho reflete, entre outros fatores, a estratégia de abertura e ampliação de mercados. Entre janeiro e março deste ano, foram 30 novos mercados abertos para produtos do agro brasileiro, que se somam aos mais de 500 mercados abertos nos três primeiros anos de gestão. Em março, as exportações somaram US$ 15,41 bilhões, encerrando o trimestre histórico do setor.

     Apesar do aumento do volume exportado em 3,8%, o que demonstra acesso cada vez maior dos produtos brasileiros ao exterior, houve queda do preço médio em 2,8%. Entre os fatores associados ao recuo está a redução do preço médio das cotações de algumas commodities da pauta exportadora, como açúcar de cana em bruto, algodão não cardado nem penteado, milho e farelo de soja.

     No primeiro trimestre, a China foi o principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, responsável por 29,8% de participação na pauta exportadora, com US$ 11,33 bilhões (alta de US$ 510 milhões, +4,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025). A União Europeia ficou na segunda posição, com +14,9% de participação na pauta exportadora e US$ 5,67 bilhões (recuo de US$ 5,6 milhões, -0,1%, em relação ao primeiro trimestre de 2025), seguida pelos Estados Unidos, com +5,9% de participação e US$ 2,24 bilhões (recuo de US$ 1,02 bilhão, -31,2%, em relação ao primeiro trimestre de 2025).

     Além da China, os mercados que mais contribuíram para o crescimento das exportações brasileiras do agronegócio nos três primeiros meses do ano foram:

     Índia (US$ 908 milhões, aumento de US$ 291 milhões, incremento de +47,1% e aumento de 2,4% de participação),    

     Filipinas (US$ 469 milhões, aumento de US$ 191 milhões, incremento de +68,3% e aumento de 1,2% em participação),

     México (US$ 709 milhões, aumento de US$ 126 milhões, incremento de +21,7% e aumento de 1,9% em participação),  

     Tailândia (US$ 635 milhões, aumento de US$ 122 milhões, incremento de +23,8% e aumento de 1,7% em participação),

     Japão (US$ 832 milhões, aumento de US$ 114 milhões, incremento de +15,8% e aumento de 2,2% participação),

     Chile (US$ 603 milhões, aumento de US$ 108 milhões, incremento de +21,8% e participação de 1,6%) e

     Turquia (US$ 1,06 bilhão, aumento de US$ 105 milhões, incremento de +11% e participação de 2,8%).

     Por sua vez, os seis principais setores exportadores do agronegócio no primeiro trimestre de 2026 foram: complexo soja (US$ 12,13 bilhões, 31,8% do total das exportações e incremento de 11,5% em relação ao mesmo período de 2025); proteínas animais (US$ 8,12 bilhões, 21,3% do total das exportações e incremento de 21,8% em relação ao mesmo período de 2025); produtos florestais (US$ 3,94 bilhões, 10,3% do total das exportações e decréscimo de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025); café (US$ 3,32 bilhões, 8,7% do total das exportações e decréscimo de 19,2% em relação ao mesmo período de 2025); complexo sucroalcooleiro (US$ 2,33 bilhões, 6,1% do total das exportações e decréscimo de 22,4% em relação ao mesmo período de 2025); cereais, farinhas e preparações (US$ 2,08 bilhões, 5,5% do total das exportações e incremento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025).

     No período, também houve recorde para carne bovina in natura em valor (US$ 3,98 bilhões, 10,5% do total exportado e aumento de 37,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025) e em quantidade (702 mil toneladas, 1,2% do volume total exportado e aumento de 19,7% em relação ao primeiro trimestre de 2025). A carne suína in natura também bateu recorde em valor (US$ 846 milhões, 2,2% do total das exportações e aumento de 16,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025) e em quantidade (336 mil toneladas, 0,6% do volume total exportado e aumento de 15,3% em relação ao primeiro trimestre de 2025).

     Em ambos os casos, o desempenho coincide com a estratégia de abertura e ampliação de mercados. A carne bovina e derivados acumulam 31 aberturas desde 2023. A carne suína e derivados, por sua vez, já somam 21 aberturas, sendo quatro apenas no primeiro trimestre de 2026.

     Também houve recorde em quantidade para soja em grãos (23,47 milhões de toneladas, 39,9% do volume total exportado e aumento de 5,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025), farelo de soja (5,43 milhões de toneladas, 9,2% do volume total exportado e aumento de 5,1%) e algodão (935 mil toneladas, 1,6% do volume total exportado e aumento de 0,6% em relação ao primeiro trimestre de 2025).

     O efeito das novas aberturas de mercado também começou a aparecer com mais clareza em 2026. O feno acumula 13 aberturas de mercado desde 2024. No caso da erva-mate, após 15 novas aberturas de mercado desde o início da atual gestão, as exportações cresceram mais de 25,8% na comparação com o primeiro trimestre de 2023. Estados Unidos, Japão e Canadá estão entre os destinos que passaram a importar o produto.

     Também houve recorde nas exportações de outros produtos não tradicionais da pauta exportadora, como pimenta piper seca, triturada ou em pó (US$ 160 milhões; +10,1% em relação a janeiro-março/2025), feijões secos (US$ 65 milhões; +2,9% em valor e 87,89 mil toneladas; +22,9% em volume), outras rações para animais domésticos (US$ 104,75 milhões; +8,6%), arroz (573 mil toneladas; +152%), miudezas de frango (US$ 197 milhões; +9,1% em valor e 132 mil toneladas; +7,6% em volume) e bovinos vivos (US$ 384 milhões; +70,8% em valor e 140 mil toneladas; +49,9% em volume).

     Segundo o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, o resultado reflete a pujança do setor. “Esse resultado mostra a força de um setor que segue sendo construído com trabalho e investimento ao longo de muitos anos. O agro brasileiro ocupa hoje uma posição de destaque no comércio internacional porque há produção, há ciência, há sanidade e há capacidade de responder às demandas dos mercados. Quero reafirmar que, na nossa gestão, vamos seguir trabalhando para fortalecer essa base e ampliar as oportunidades para os produtos brasileiros no exterior”.

     Agronegócio exporta US$ 15,4 bilhões em março e responde por quase metade das vendas externas do país

     As exportações alcançaram US$ 15,41 bilhões e as importações de produtos agropecuários totalizaram US$ 1,87 bilhão, o que resultou em superávit de US$ 13,54 bilhões no mês. Em comparação com março de 2025, os preços médios de exportação dos produtos do agronegócio brasileiro apresentaram crescimento de 0,1%, enquanto o volume embarcado recuou 0,8%. O valor exportado ficou 0,7% abaixo do observado no mesmo mês do ano passado.

     Entre os principais setores exportadores do agro brasileiro em março destacam-se: complexo soja, com US$ 6,8 bilhões, 44,1% de participação e alta de 4,3% em relação a março de 2025; carnes, com US$ 2,83 bilhões, 18,4% de participação e alta de 19,5% em relação a março de 2025; produtos florestais, com US$ 1,31 bilhão, 8,5% e decréscimo de 17,1% em relação a março de 2025; café, com US$ 1,1 bilhão, 7,2% de participação e decréscimo de 28,0% em relação a março de 2025; e complexo sucroalcooleiro, com US$ 702 milhões, 4,6% de participação e decréscimo de 30,1% em relação a março de 2025.

     A China permaneceu como principal destino das exportações do agro brasileiro, com US$ 5,57 bilhões e 36% de participação. A União Europeia segue como a segunda colocada, com US$2,15 bilhões e 14% de participação. E Estados Unidos ficaram na terceira posição, com US$ 736 milhões e participação de 4,8%. Entre os países que mais contribuíram para o crescimento das exportações no mês destacaram-se: Egito, com US$ 388 milhões e alta de 98,5%; México, com US$ 372 milhões e alta de 38,2%; e Índia, com US$ 365 milhões e alta de 59,4%.

     Além dos produtos tradicionalmente mais exportados, diversos itens que não compõem esse grupo registraram crescimento em março e reforçaram o potencial de diversificação do portfólio exportador brasileiro. Entre eles, destacam-se:

     Feijões Secos – recorde em valor (US$ 20 milhões; +32% em relação a março/2025) e quantidade (27,3 mil toneladas; +51,3% em relação a março/2025);

Amendoim em grãos - recorde em quantidade (19,3 mil toneladas; +27,8% em relação a março/2025);

Óleo de milho – recorde em valor (US$ 14,8 milhões; +420% em relação a março/2025) e quantidade (12,4 mil toneladas; +321,7% em relação a março/2025);

Cerveja – recorde em valor (US$ 18,5 milhões; +14,6% em relação a março/2025);

Chocolate e preparações alimentícias contendo cacau – recorde em valor (US$ 17,8 milhões; +5,3% em relação a março/2025);

Melancias frescas – recorde em valor (US$ 13,3 milhões; +179% em relação a março/2025) e quantidade (17 mil toneladas; +126,2% em relação a março/2025);

Fumo manufaturado – recorde em valor (US$ 20 milhões; +83,9% em relação a março/2025) e quantidade (3,4 mil toneladas; +51,1% em relação a março/2025);

Essências derivadas de madeira – recorde em quantidade (3,2 mil toneladas; +6,2% em relação a março/2025);

Alimentos para cães e gatos – recorde em valor (US$ 10 milhões; +23,2% em relação a março/2025) e quantidade (7,5 mil toneladas; +12,5% em relação a março/2025).

     Para o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, o desempenho está relacionado à agenda de acesso a mercados. “O resultado do trimestre reflete a competitividade do agro brasileiro, mas também um trabalho permanente de abertura e ampliação de mercado. É esse esforço que permite consolidar destinos já relevantes, ampliar o espaço de produtos brasileiros no exterior e dar mais previsibilidade ao comércio internacional do agro”.

 

Gov.br

 

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Pensamento: O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda.

 

Bertrand Russell

 

 

 


A EXPORTAÇÃO DO MEL DE ABELHA BRASILEIRO

 

     Exportação de mel brasileiro

     Em 20/12/2024

     O mel é um dos alimentos mais antigos consumidos pela humanidade, com registros que remontam à pré-história. Os egípcios são apontados como os pioneiros na criação de abelhas com propósitos econômicos.

     Hoje, o mel mantém seu destaque na alimentação por conta de sua riqueza nutricional, sendo também impulsionado por consumidores que valorizam produtos naturais, tornando este um segmento em expansão.

     Grande parte da produção brasileira de mel é exportada, e neste artigo iremos explorar sobre este produto ao nível nacional e global. Boa leitura!

     O mercado global de mel

     A China é o principal produtor de mel, produzindo cerca de 26% do mel no mundo, em torno de 474 mil toneladas, e também o maior exportador. O mel chines é um dos mais competitivos por conta do seu custo baixo de produção.

     Os principais países exportadores de mel em 2023 e sua respectiva participação no mercado global foram:

     China: 12,3% das exportações globais (US$ 254 milhões)

     Nova Zelândia: 11,7% (US$ 243 milhões)

     Argentina: 8,61% (US$ 177 milhões)

     Índia: 8,28% (US$ 170 milhões)

     Ucrânia: 5,88% (US$ 121 milhões)

     O Brasil ocupa a 10ª posição na produção mundial de mel, mas ainda não se destaca entre os principais exportadores do produto, embora possua potencial.

     A apicultura no Brasil

     O mel brasileiro é reconhecido mundialmente por sua pureza, estando livre de resíduos e sendo referência em qualidade. Isso se deve, em parte, às condições favoráveis no Brasil, como clima, solo, altitude e composição das floradas, que permitem uma produção limpa sem utilizar produtos químicos. Graças aos recursos naturais, o mel brasileiro pode ser produzido durante todas as estações do ano.

     As abelhas brasileiras são africanizadas, dessa forma são mais ágeis e resistentes a doenças, dispensando a utilização de medicamentos para tratamento.

     A cadeia produtiva apícola brasileira possui um papel relevante na economia nacional. Segundo dados do IBGE, 82% dos mais de 100 mil apicultores no Brasil produzem dentro do modelo de agricultura familiar.

     Além disso, o Brasil se destaca como um grande produtor de mel orgânico, por conta da elevada quantidade de áreas preservadas. Nenhum outro país possui o mesmo potencial para oferecer mel orgânico como o Brasil.

     Segundo a Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), cerca de 60% do mel produzido no Brasil é exportado, sendo o Nordeste a principal região produtora e exportadora de mel orgânico.

     Dados sobre a exportação de mel

     De janeiro a novembro de 2024, o Brasil exportou US$ 91,06 milhões em mel, que correspondem a 34,8 mil toneladas.

     Estes números representam um aumento de 14,1% no valor e 31,3% no volume em comparação com o mesmo período de 2023.

     Principais países compradores

     O principal importador do mel brasileiro é os Estados Unidos, responsável por 79% das compras do produto no ano.

     Os demais países são Canadá (11%), Alemanha (6%), Reino Unido (2,8%) e Bélgica (0,73%).

     Principais estados exportadores

     O Piauí possui a maior participação nas exportações de mel, com 26,6%. Os demais principais estados exportadores incluem:

     Minas Gerais: 19,8%

     Santa Catarina: 14,3%

     Paraná: 10,3%

     São Paulo: 8,54%

     Regulamentação na exportação de mel

     Para exportar mel, o estabelecimento precisa seguir as normas do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), estando devidamente habilitado e regularizado.

     Os produtos devem atender os requisitos de rótulo, bem como deve ser verificado as exigências sanitárias para cada país de destino.

     O Brasil é signatário do Codex Alimentarius, dessa forma deve ser emitido os seguintes documentos sanitários na exportação de mel:

     Certificado Sanitário Nacional (CSN);

     Certificado Sanitário Internacional (CSI); e Guia de Trânsito (GT).

     Conclusão

     O artigo trouxe dados atuais sobre a exportação de mel brasileiro, os principais países compradores, um panorama do mercado global e aspectos regulatórios.

     O Brasil possui condições naturais e capacidade para avançar cada vez mais na produção e exportação de mel, aumentando sua participação no mercado global deste produto.

     Com o apoio de empresas especializadas como a PGL Brasil, que possui ampla experiência em soluções logísticas e de comércio exterior, os exportadores de mel podem ter a certeza de uma operação de exportação bem sucedida.

     Se você está pensando em exportar mel, conte com o suporte da PGL Brasil para facilitar todo o processo de desembaraço aduaneiro e logística nacional e internacional. Solicite uma cotação ao nosso time!

 

PGL

 

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Pensamento: As leis inúteis debilitam as necessárias.

 

Barão de Montesquieu

 

A VERDADE NA INTERNET

A IA E OS PENSAMENTOS FILOSÓFICOS COMPLEXOS        Defina esse pensamento de um filósofo:   O ser é, e não pode não ser e o não ser, não...

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